Sustentabilidade
ESG em transporte: crescer sem colocar veículo na estrada
Dirijo para quem opera no lado da oferta: viação ou transportadora com bagageiro ocioso. ESG não é pauta de relatório anual, é modelo de receita. Minha tese é q
Na semana passada, um diretor comercial de uma viação do Centro-Oeste me perguntou algo direto: 'ESG é coisa de grande empresa ou tem dinheiro nisso para nós?' A pergunta me parou. Não pela ingenuidade, mas pela honestidade. Porque a maioria das conversas sobre logística verde que acontecem hoje em 2026 ainda gira em torno de frotas elétricas, biocombustíveis e metas de emissão que exigem CAPEX pesado. E a viação que opera 40 ônibus interestaduais com bagageiro subutilizado fica de fora desse debate como se não tivesse nada a oferecer.
Tem. E é muito.
Resposta direta: Crescer volume de carga fracionada sem colocar veículos novos na estrada é, ao mesmo tempo, a proposta ESG mais concreta do transporte interestadual brasileiro e um modelo de receita imediato para viações e transportadoras com capacidade ociosa. Cada tonelada de carga embarcada no bagageiro de um ônibus que já circula substitui uma viagem incremental de caminhão, reduz emissões por tonelada transportada e gera margem sobre custo fixo já pago. Não é teoria, é aritmética operacional.
O bagageiro ocioso é o ativo ESG que ninguém vê
Vou ser direto sobre o que observo no mercado em 2026: a narrativa ESG no transporte de carga ainda está capturada pelo debate de modal elétrico. Isso é válido para o longo prazo, mas ignora uma oportunidade imediata que está rodando todos os dias nas rodovias brasileiras.
Um ônibus interestadual sai de São Paulo para Goiânia com horário fixo, independentemente de quantos quilos de carga estão no bagageiro. O custo variável dessa viagem é praticamente zero para a viação até o ponto em que o bagageiro transborda. Cada caixa embarcada ali tem uma pegada de carbono drasticamente menor do que a mesma caixa embarcada num caminhão que saiu exclusivamente para fazer essa rota.
Por que a conta de emissão funciona a favor do ônibus
A lógica é simples: quando você distribui as emissões de uma viagem entre passageiros e carga, o custo ambiental por tonelada transportada