Carga Fracionada

Carga fracionada: quem decide o modal errado?

A escolha do modal de frete fracionado interestadual raramente é técnica. Entenda quem decide, por que decide errado e o que muda na prática.

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Quando o frete interestadual sai caro demais ou demora mais do que deveria, a culpa costuma cair no transportador. Mas o problema, quase sempre, está antes disso: na forma como a decisão de modal foi tomada dentro da empresa. Quem escolheu aéreo para uma carga que cabia no bagageiro de ônibus? Quem aprovou rodoviário convencional para uma rota com D+8 quando o cliente esperava D+3?

A pergunta que me fazem com frequência é: quem, de fato, decide o modal de frete fracionado numa operação B2B? E a resposta honesta é: depende da empresa, e quando depende de muita gente sem critério claro, o resultado é sempre mais caro e mais lento do que deveria ser.

Resposta direta: Na maioria das operações B2B, a escolha do modal de frete fracionado é feita por quem tem acesso ao sistema de cotação no momento do embarque, não necessariamente por quem entende a rota, o prazo acordado e o custo real de cada opção. Isso gera escolhas sistemáticas ruins: aéreo usado onde o multimodal entregaria no mesmo prazo com custo menor, e rodoviário convencional escolhido por hábito onde há alternativas D+1 a D+4 disponíveis.

Quem está sentado na cadeira quando o modal é escolhido?

Numa distribuidora de médio porte ou num e-commerce em expansão nacional, o fluxo real costuma ser assim: o pedido entra, o sistema acusa que precisa de frete interestadual, e o operador abre a cotação. Ele compara o que o sistema mostra, escolhe o mais barato entre o que conhece, e embarca. Pronto.

O problema é que "o mais barato entre o que conhece" e "o mais barato disponível" são coisas muito diferentes. O operador trabalha com as transportadoras que já estão cadastradas, as tabelas que foram negociadas meses atrás e os modais que o sistema apresenta por padrão. Se a empresa nunca cadastrou uma opção multimodal com bagageiro de ônibus, ela simplesmente não aparece na tela.

O head de logística, em geral, define a política e as transportadoras homologadas, mas não acompanha cada embarque. O COO entra