Mercado de Transporte
Carga fracionada: onde estão os R$215 bi desperdiçados
O mercado de carga fracionada movimenta R$215 bi ao ano no Brasil. Saiba onde estão os gargalos e como o COO pode parar de pagar por eles.
Você já fez a conta de quanto sua operação gasta com frete interestadual fracionado e comparou com o que de fato entrega em prazo e previsibilidade? A maioria dos diretores de operações que converso nunca fez essa conta de verdade. Pagam a fatura todo mês, encaixam o custo no P&L e seguem em frente. O problema é que o mercado brasileiro de carga fracionada, estimado em R$215 bilhões anuais, carrega uma ineficiência estrutural que não aparece na fatura, mas aparece no custo de oportunidade, na ruptura de estoque e na experiência do cliente final.
A pergunta que vale responder logo de cara: onde exatamente está a ineficiência nesse mercado e o que o COO pode fazer para parar de financiá-la?
Resposta direta: A ineficiência do mercado de carga fracionada interestadual está concentrada em três pontos: consolidação de carga feita sem inteligência de rota, uso exclusivo do modal rodoviário tradicional em rotas onde ele demora 8 a 10 dias, e ausência de integração entre o sistema do embarcador e o transportador. O resultado é frete caro, prazo imprevisível e zero visibilidade. Esses três erros têm solução operacional, não tecnológica mirabolante.
Por que R$215 bilhões com tanto desperdício ainda dentro?
O mercado de carga fracionada no Brasil cresceu junto com a descentralização do consumo. E-commerces chegando ao interior, indústrias abastecendo distribuidoras em praças cada vez mais distantes dos grandes centros, distribuidoras atendendo o varejo regional: tudo isso ampliou o volume de envios interestaduais de volumes pequenos e médios. Só que a infraestrutura de transporte não evoluiu na mesma velocidade.
O que você tem hoje é um mercado dominado por transportadoras rodoviárias que operam com lógica de consolidação lenta: a carga fica aguardando completar o veículo, depois percorre a rota principal, depois espera novo carregamento para a ponta. Em rotas como São Paulo para o Nordeste ou Sul para o Centro-Oeste, esse processo leva de 8 a 10 dias com frequência