Ir para o conteúdo
Voltar para o blog Multimodal

Frete fracionado: aéreo ou ônibus para sua rota?

Frete fracionado: aéreo ou ônibus para sua rota?

Você está olhando para uma remessa de 80 kg com destino a uma cidade do interior do Maranhão. Prazo do cliente: 4 dias úteis. O aéreo entrega em 2, mas o custo come a margem do pedido. O rodoviário tradicional entrega em 8, e o cliente já avisou que não aceita. Qual modal você escolhe?

Essa pergunta aparece toda semana na operação de embarcadores B2B que crescem fora dos grandes centros. E a resposta errada custa caro, de dois jeitos: escolher aéreo toda vez sangra o orçamento; escolher rodoviário toda vez perde cliente. O que falta, na maioria dos casos, é um critério claro para tomar essa decisão rota a rota.

Resposta direta: Para rotas interestaduais com prazo de D+2 a D+4 e cidades a mais de 300 km dos hubs aéreos, o multimodal via bagageiro de ônibus entrega prazo competitivo com custo significativamente inferior ao aéreo. O aéreo só vence quando o prazo é D+1 e o destino tem aeroporto comercial operacional. Para o interior com mais de 5.500 cidades cobertas pela malha rodoviária, o aéreo simplesmente não chega.

Por que comparar modal por modal ainda é raro nas operações B2B?

A maioria das empresas que atendo não faz essa análise de forma sistemática. O que vejo acontecer com frequência é o seguinte: a operação foi montada num momento em que o volume era pequeno e o aéreo era a saída mais rápida. Funcionou. Aí o volume cresceu, a malha de destinos se expandiu para o interior, e o custo de frete foi junto, mas ninguém parou para revisar o critério de escolha de modal.

O resultado é uma planilha de fretes onde 60% das remessas vão pelo aéreo, mas boa parte delas têm prazo de 3 ou 4 dias, não D+1. Isso significa pagar preço de urgência para um prazo que outro modal entregaria. Esse gap é onde mora a redução de custo que os gerentes de logística procuram, e raramente encontram, porque estão olhando para negociação de tabela em vez de revisão de critério de modal.

Quando o aéreo realmente vence a conta?

O aéreo tem dois pontos fortes inegociáveis: velocidade e alcance nos destinos com aeroporto. Para remessas com prazo D+1, destino em capital ou cidade com aeroporto comercial operacional, e peso abaixo de determinado limiar onde a tarifa ainda é suportável, o aéreo é a escolha certa. Não tem discussão.

O problema começa quando o embarcador usa esses dois critérios de forma isolada. Só olha o prazo ("preciso rápido, vai pelo aéreo") sem checar se o destino tem aeroporto, ou só olha o destino ("São Paulo para Fortaleza tem voo") sem checar se o prazo exigido justifica o custo.

Quais destinos o aéreo não cobre de verdade?

O Brasil tem cerca de 120 aeroportos comerciais em operação regular. A malha de ônibus interestaduais cobre mais de 5.500 cidades. Isso significa que a esmagadora maioria dos municípios brasileiros não tem aeroporto, e o que é chamado de "entrega aérea" nesses destinos é, na prática, aéreo até o hub mais próximo seguido de rodoviário de last mile, com prazo e custo somados dos dois trechos.

Uma distribuidora de materiais elétricos que atende o interior do Piauí, por exemplo, não está comparando aéreo com rodoviário. Está comparando aéreo até Teresina mais caminhão de redistribuição, contra um multimodal que sai de São Paulo no bagageiro de um ônibus com horário fixo e chega ao destino em D+3 sem troca de operador. O custo e o prazo reais mudam completamente quando você abre essa conta.

O que o custo real do aéreo inclui que a tabela não mostra?

A tarifa aérea é só o começo. Na conta completa entram:

  • Coleta na origem (geralmente separada da tarifa aérea)
  • Taxa de handling no aeroporto de origem
  • Taxa de seguro de carga obrigatório
  • Last mile no destino (quando a cidade não tem aeroporto)
  • Custo de redespacho quando o destino final é interior
  • Prazo adicional do last mile, que pode anular a vantagem de velocidade do voo

Quando você soma tudo, remessas com destino no interior que passam pelo aéreo frequentemente chegam mais caras e no mesmo prazo que o multimodal bem orquestrado. A diferença é que o multimodal aparece com custo visível na cotação, e o aéreo esconde parte dos custos em cobranças adicionais.

Como o multimodal via ônibus se posiciona nessa comparação?

A lógica do frete fracionado via bagageiro de ônibus é diferente do rodoviário tradicional em um ponto central: o ônibus interestadual já sai com horário fixo, independente do volume de carga. Não existe a variabilidade de "o caminhão sai quando encher", que é o que torna o rodoviário fracionado convencional tão imprevisível.

Isso muda o SLA de forma estrutural. Uma remessa que entra no sistema até determinado horário de corte sai no ônibus daquela noite e chega no destino em D+1 a D+4, dependendo da distância. O transit time é determinístico, não estimado. Essa previsibilidade é o que o embarcador B2B precisa para prometer prazo ao cliente final com segurança.

Para quais rotas o multimodal entrega D+1 ou D+2?

Routas de até 800 a 1.000 km com ônibus noturnos diretos conseguem D+1 com regularidade. São Paulo para Belo Horizonte, Curitiba, Campo Grande, destinos no interior de Minas e Paraná, por exemplo. Para rotas mais longas, o D+2 a D+3 é o mais realista, e ainda assim bem abaixo dos 8 a 10 dias do rodoviário fracionado convencional.

O mapa de prazo por destino é o primeiro dado que qualquer embarcador deveria ter na mão antes de definir política de modal. Sem ele, a decisão é feita por intuição ou por hábito, que é a receita para pagar mais do que deveria.

Como montar o critério de decisão por rota na prática?

Entendido o cenário, a pergunta seguinte é natural: como traduzir isso em uma regra operacional que o time de logística aplica sem precisar analisar cada remessa do zero?

O critério mais direto que funciona é uma matriz com dois eixos: prazo exigido e tipo de destino. Ela não precisa ser complexa:

Prazo D+1 + destino com aeroporto comercial: aéreo é a escolha padrão, salvo se o volume ou peso tornar a tarifa inviável.

Prazo D+2 a D+4 + qualquer destino: multimodal via malha de ônibus deve ser cotado primeiro. O aéreo entra como exceção quando o destino é capital e o diferencial de custo é pequeno.

Prazo D+2 a D+4 + destino interior sem aeroporto: multimodal é a única opção com prazo real. O aéreo até o hub mais próximo mais last mile raramente entrega dentro do prazo e sempre custa mais.

Prazo acima de D+4 + qualquer destino: rodoviário fracionado convencional entra na conta, mas vale comparar se o custo justifica a imprevisibilidade adicional versus o multimodal com SLA garantido.

Esse critério aplicado sistematicamente, integrado ao ERP via API para que a cotação de modal já saia automática na geração do pedido, elimina a decisão manual e padroniza a escolha mais econômica por rota. Quem ainda faz essa decisão manualmente remessa a remessa está deixando eficiência na mesa todos os dias.

A integração via API com ERP e WMS é o que transforma essa matriz de papel em regra de negócio executada automaticamente, sem depender de alguém lembrar de aplicar o critério.

O que fazer com essa informação agora?

Com tudo isso em mente, a ação mais inteligente agora é pegar os últimos 90 dias de remessas aéreas da sua operação e cruzar com dois filtros: prazo real entregue (não o prazo cotado) e tipo de destino (capital com aeroporto versus interior). Esse cruzamento vai mostrar o percentual de remessas que foram pelo aéreo sem necessidade operacional real.

Na maioria das operações que analiso, esse número surpreende. Remessas com destino no interior que poderiam ter ido pelo multimodal em prazo equivalente, mas foram pelo aéreo porque era o padrão estabelecido há anos, representam uma redução de custo acessível sem mudar nenhum processo crítico. Só requer um critério novo e uma malha que cumpra o prazo prometido.

Se a sua operação ainda não tem visibilidade de transit time por rota para comparar modais com dados reais, vale começar por aí. A Kargu faz esse diagnóstico de malha como ponto de partida, sem compromisso. O resultado é um mapa de onde o multimodal já entrega no prazo que você precisa e onde o aéreo ainda é a única saída.

Decisão de modal tomada por hábito custa mais caro do que qualquer tabela de frete. Em 2026, com a malha multimodal cobrindo destinos que o aéreo não alcança e com previsibilidade de horário fixo, essa decisão pode e deve ser feita com critério.


Perguntas frequentes

O multimodal via ônibus tem rastreamento em tempo real como o aéreo? Sim. Plataformas de frete fracionado multimodal modernas oferecem rastreamento em tempo real via API, com status de embarque, trânsito e entrega. A visibilidade é comparável ao aéreo e pode ser integrada diretamente ao ERP ou ao portal do cliente final.

Vale usar multimodal para remessas pequenas, abaixo de 10 kg? Sim, desde que o destino esteja na malha e o prazo seja D+2 ou mais. O frete fracionado via bagageiro de ônibus não tem restrição de peso mínimo relevante, e o custo por kg tende a ser mais competitivo que o aéreo mesmo em volumes pequenos, especialmente em rotas longas.

Como o multimodal lida com destinos que não têm terminal rodoviário grande? A malha multimodal usa o terminal rodoviário como ponto de consolidação, mas o last mile até o endereço final é feito por transportadoras locais integradas à operação. Cidades sem terminal próprio são atendidas via redistribuição a partir do hub regional mais próximo, o que pode adicionar D+1 ao prazo, mas ainda assim fica dentro do SLA de D+4 na maioria das rotas.

Tagsfrete fracionadomodal de transporteaéreo vs rodoviáriotransit timecarga fracionada interestadual

Pergunte sobre este conteúdo para a IA

Abra um chat com a pergunta pronta e aprofunde no assunto.

Mauro Favoretto

Escrito por Mauro Favoretto

Bacharel em Física pela USP, foi Engenheiro de Software no Citibank e CEO de Tecnologia no Grupo Itapemirim, onde operou logística de encomendas nos bagageiros de ônibus com a ITEX. Fundou a Kargu para escalar esse modelo com tecnologia.

Artigos relacionados