Carga Fracionada
Frete fracionado: como calcular o custo real
O preço do frete fracionado esconde custos que a maioria dos embarcadores ignora. Veja como calcular o custo real e onde estão as perdas invisíveis.
Quando o gestor de logística abre a planilha de fretes no começo do mês, o número que ele vê raramente é o custo real da operação. Ele vê o valor da nota da transportadora. O que fica de fora, espalhado em outras linhas do orçamento ou simplesmente não contabilizado, costuma ser maior do que o frete em si.
A pergunta que me fazem com frequência é direta: "como eu sei se estou pagando caro ou barato pelo frete fracionado interestadual?" A resposta que eu dou é sempre a mesma: você provavelmente não sabe, porque está comparando preço de tabela com preço de tabela, sem empilhar todos os custos que a operação real gera.
Resposta direta: O custo real do frete fracionado interestadual é a soma do valor do frete contratado com os custos de prazo (dias de estoque em trânsito, capital imobilizado), custos de falha (re-entregas, avarias, atendimento ao cliente) e custo de gestão operacional (tempo de time para rastrear, cobrar SLA e emitir documentação). Ignorar qualquer uma dessas camadas leva a decisões de modal erradas e orçamento subavaliado.
Por que o preço de tabela engana tanto?
A transportadora cobra pelo peso ou volume da carga, mais eventuais taxas de coleta, entrega e pedágio. Esse número aparece na nota e vai para o centro de custo de logística. Pronto. Para muitos gerentes, a análise para aí.
Mas pense no que acontece quando o rodoviário tradicional leva D+8 para entregar uma peça de reposição industrial para uma fábrica no interior de Minas. O cliente não para de produzir e esperar o frete chegar. Ele compra de um concorrente, ou a fábrica para. Esse custo não aparece na nota da transportadora, mas ele existe, e é real.
Uma distribuidora de autopeças que conheço no interior de SP demorou quase dois anos para perceber que o frete "barato" que ela contratava para rotas longas gerava um volume relevante de pedidos cancelados e re-compras emergenciais pelo aéreo, que corroíam a margem do produto inteiro. O frete era barato. A operação era cara.